O Sindicato da Indústria de Pesca do Rio Grande do Norte (SINDIPESCA-RN) reuniu empresas pesqueiras e representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para um debate sobre iniciativas de promoção da conservação e sustentabilidade na pesca oceânica. O evento iniciou nesta terça-feira (18), com apresentações das iniciativas das empresas e do ICMBio, e segue até quarta-feira (19), na Casa da Indústria, com debates e propostas de novas ações.
Para o presidente do SINDIPESCA-RN, Gabriel Calzavara, a discussão é extremamente moderna e atual. “O evento reúne todos os atores, desde os que pescam, processam e distribuem a produção até o órgão ambiental”, ressaltou. “O ICMBio é responsável pelo Programa Parceiros do Oceano Atlântico, que envolve todos esses segmentos para discutir de maneira aberta e transparente as expectativas e ações de cada um para contribuir para a sustentabilidade não apenas dos recursos pesqueiros, mas também dos recursos econômicos das empresas, de forma que todos possam prosperar e fazer o que se chama de desenvolvimento sustentável”, acrescentou Calzavara.
De acordo com Júlio Rosa, chefe do ICMBio Grandes Unidades Oceânicas, o órgão tem como missão formular e implementar políticas públicas ambientais visando proteger o meio ambiente e promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável. “Destaco que não atuamos apenas na proteção, mas também promovendo o desenvolvimento socioeconômico sustentável, atuando com empresas e instituições parceiras para viabilizar essa missão”, disse Rosa.
Também foi apresentado o trabalho do Instituto no Programa Parceiros do Oceano, que desenvolve iniciativas para promover sustentabilidade no setor pesqueiro. “É uma ocasião de juntar empresas privadas de todas as regiões, o ICMBio, o Ministério da Pesca, o Ministério do Meio Ambiente e todo mundo que pode contribuir para construir uma gestão da pesca ideal. Para isso usamos muito treinamento, educação de pescadores, de tripulantes, inovação e tecnologia”, destacou Mônica Peres, analista do ICMBio e coordenadora do projeto.
“Nossas unidades de conservação oceânicas, nos arquipélagos de São Pedro e São Paulo e de Trindade e Martim Vaz, ficam longe da terra, então precisamos desses parceiros estratégicos para a gestão e conservação da biodiversidade”, completou.
Ainda entre as apresentações, o empresário Gustavo Burle mostrou o trabalho desenvolvido em parceria entre o SINDIPESCA-RN e o ICMBio para o desenvolvimento da prática de Deep Setting Longline (DSLL), ou espinhel de fundo, no Nordeste brasileiro. A técnica envolve lançar a linha de iscas a profundidades abaixo de 100 metros.
“Isso requer não só investimento em tecnologia e produtos, mas também em mão de obra especializada. Por outro lado, reduz custos com iscas, no tamanho da tripulação, possibilita mais créditos tributários e rende produtos mais refinados. Isso aprimora significativamente o faturamento”, explicou Burle.
Outros temas, como o avanço no monitoramento eletrônico de embarcações, a rastreabilidade eletrônica e capacitação e treinamento de tripulações foram debatidos. Participaram do evento representantes da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da FIERN (COINCITEC), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Paiche, empresa de consultoria especializada em pesca sustentável.
Texto e fotos: Guilherme Arnaud